Por mares nunca antes navegados

VIAGENS DA HELENA

Ontem, foi o primeiro dia de nove que tenho pela frente. Acordei tarde apesar de ter dormido horas e horas com as cortinas abertas e o sol a brilhar no céu e o oceano a entrar pelo quarto dentro inundando tudo de luz. Descansava como já não me lembrava de ser possível. Senti-me verdadeiramente privilegiada!

Já passava da dez e já não ia a tempo de tomar o farto pequeno almoço que era servido no restaurante Miramar, mas não me importei. Queria sentir aquele momento com toda a sua plenitude pois era a primeira vez que o vivia. Estava verdadeiramente sozinha. Eu que sempre vivera rodeada de todos. Ali, dormir com o mar a embalar-me deu-me uma sensação de torpor difícil de largar. Literalmente percebi o que era preguiçar e senti-me bem. Levantei-me com hesitação. Podia se quisesse ficar ali. Mas decidi sair. Tomei duche numa cabine pequena, mas não tão pequena quanto seria de esperar, onde a água jorrava com força e nunca era fria mesmo que a quisesse assim. Imaginava quanto litros de água carregaria aquele navio e, pelo sim, pelo não, economizei-a mais do que seria de esperar. Consciência da minha condição.

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Preparando-me sabia que o sol em mar alto queimava muito mais que numa praia ou piscina, devido ao reflexo massivo nas águas do oceano, e, como tanto gosto, enchi-me de protetor solar dos pés à cabeça. Coloquei um chapéu, óculos, biquini e fui até piscina. Ou onde tudo acontecia!

Subi ao deck 10, o deck exterior mesmo por cima do corredor da minha cabine, one funcionava o restaurante Panorama. Um self-service completo que atendia a todos os gostos e necessidades, desde um improvisado pequeno-almoço, como foi o meu caso, até um almoço tardio que variava entre comida italiana, chinesa e mediterrânea.

Sentia uma sensação de desequilíbrio, de tontura, que me tirava o apetite. Para contrariar a sensação de tontura fui petiscar algo, uns minis – croissantes, sumo de laranja, compotas, queijo e fiambre, doces, café. O suficiente para desenjoar. O balanço do barco deixava-me nervosa. Não me sentia mal, mas percebia que não controlova o meu equilíbrio que já de si era desequilibrado e isso deixava-me insegura. Caminhava com cautela e devagar.

Observava. Percebia que havia gente sozinha como eu. Que havia famílias. Que havia grupos de jovens e menos jovens. Também casais. Havia muita gente a bordo. Soube mais tarde cerca de seiscentas passageiros. A capacidade máxima do navio era de dois mil. Mais tripulação.

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Sozinha apanhava sol, quente e alto, deitada em espreguiçadeiras dispostas junto à popa. Sentia-me verdadeiramente entregue a mim a mesma. Relaxava numa dimensão de entrega que não me era usual. Desfolhava um livro. Lia compassivamente como se o meu tempo fosse acabar. Mas não acabou. Ali tinha todo o tempo do mundo para mim. Ler aliás era a minha actividade preferida porque percebi ter tempo de verdade e ninguém, rigorosamente ninguém, me interromperia. E isso é algo a que não estou habituada!

São muitas novidades, um dia sabidas, até ali esquecidas.

mh

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